Crítica

Crítica

'007: Sem Tempo Para Morrer' é um belo final para a era Daniel Craig

1/10/2021

Mesmo que se valha de muitos clichês e se torne cansativo em alguns momentos, o novo filme de 007 consegue impressionar com uma grande performance de seu protagonista e uma condução magistral de seu diretor, produzindo um final mais que digno para uma era.

escrito por
Luis Henrique Franco

Mesmo que se valha de muitos clichês e se torne cansativo em alguns momentos, o novo filme de 007 consegue impressionar com uma grande performance de seu protagonista e uma condução magistral de seu diretor, produzindo um final mais que digno para uma era.

escrito por
Luis Henrique Franco
1/10/2021

Ser fã da franquia 007 é saber que os filmes estão em uma montanha-russa constante de altos e baixos. O mesmo pode ser estendido para a era Daniel Craig dessa franquia, que apresentou obras-primas como Cassino Royale e Skyfall ao lado das decepções Quantum of Solace e Spectre. Sem Tempo Para Morrer, último filme dessa era do personagem, se encontra em um tipo de meio-termo. Mesmo que não seja o melhor filme de 007 já feito, ainda assim é extremamente bem conduzido e explora muito bem suas principais qualidades de forma a entreter o público e homenagear seu personagem.

A trama retoma o final de Spectre e encontra James Bond (Daniel Craig) aproveitando sua vida de aposentado ao lado de sua amada Madeleine Swann (Léa Seydoux). Mas quando os remanescentes da Spectre realizam um atentado contra a sua vida, a suspeita de Bond contra Madeleine o leva a se separar dela e buscar uma reclusão ainda maior do mundo. Enquanto isso, um novo vilão, Lyutsifer Safin (Rami Malek) revela uma nova e poderosa arma de destruição, colocando o MI-6 e toda a comunidade internacional em ameaça.

James Bond é perseguido por agentes da Spectre em cena na Itália

Vamos começar pelas partes ruins. E a maior delas é certamente a trama. Vilão genérico toma possa de uma arma de destruição em massa e espera conquistar poder mundial com isso. Não é só uma trama velha na franquia 007, mas no gênero de ação como um todo, e é impossível ignorar os clichês apresentados ao longo de todo o enredo. Alguns deles são bastante inteligentes e se apresentam como uma forma de autoconsciência do filme e como uma sátira aos clássicos da franquia, mas a constante repetição desses torna os momentos previsíveis e maçantes em vários momentos.

Mas contra esse problema, temos uma direção afiada e extremamente efetiva de Cary Fukunaga, que entrega uma condução exemplar e explora seus personagens e situações ao máximo, criando momentos de genuína tensão e surpresa ao lado de outros de alívio cômico bem executado e com ótimo timing. Seus momentos de maior destaque são certamente as cenas de ação, que recebem um andamento mais focado e sem o uso incessante de cortes abruptos a cada segundo. As sequências prolongadas permitem ao público compreender melhor o andamento das lutas e enfrentamentos, gerando uma maior satisfação diante da execução.

Daniel Craig como James Bond, disparando sua pistola em cena de confronto armado

Por causa dessa execução, que não permite (na maior parte do tempo) que cenas se prolonguem além do necessário, a audiência quase não percebe a longa duração do filme. Existem alguns problemas de ritmo, com algumas cenas não recebendo o peso devido e o terceiro ato sendo bastante cansativo, mas são raros momentos. Nos dois primeiros terços do filme, porém, o andamento é extremamente orgânico e compreensível, sem nunca se perder entre as contínuas mudanças de localidade, típicas de um filme de 007.

Cena de conversa entre Bond (Daniel Craig) e Blofeld (Christoph Waltz)

Outro ponto a ser debatido no filme é o elenco e as atuações. Em geral, os atores entregaram performances memoráveis, em especial os mais antigos. Ben Whishaw, Naomi Harris e Rory Kinnear continuem um bom elenco de apoio como os membros do MI-6 e antigos companheiros de Bond, fornecendo breves momentos de importância na trama e algumas situações cômicas divertidas. Já Ralph Fiennes entrega uma atuação excelente como M, contrastando a sua autoridade com momentos de surpreendente temor, ansiedade e arrependimento, dando ao antigo chefe de Bond uma complexidade ímpar.

Léa Seydoux possui mais tempo para brilhar e consegue desenvolver sua personagem melhor do que no filme anterior, ganhando mais profundidade emocional e uma presença maior na trama, mesmo que ainda não consiga entregar tudo que o papel demande, especialmente no lado de sua relação com Bond. Já Jeffrey Wright retorna como o agente Felix Leiter em uma participação divertida e de boa atuação, mas tão curta que não justifica muito a sua inclusão. O mesmo pode ser dito para Christoph Waltz, cuja participação é tão pequena que soa quase como um insulto para o seu personagem, Blofeld, e tudo o que ele representa na história da franquia.

Bond ao lado de Madeleine Swann (Léa Seydoux)

Quanto aos novos rostos, o grande crédito vai para o elenco feminino, que traz Lashana Lynch como uma nova agente 00 com quem Bond tem uma relação conturbada que rende alguns momentos cômicos. Mesmo que seu papel pareça antipático a princípio, Lynch consegue desenvolver sua personagem e conquistar um pouco a audiência, e seu trabalho teria sido ainda melhor se a personagem tivesse tido uma presença mais central no filme. Ana de Armas é outra boa adição ao elenco, com uma personagem divertida, carismática e que deveria ter recebido muito mais atenção na trama. Sua entrega ao papel faz com que sua pequena presença soe como um grande desperdício.

Ana de Armas em seu papel como uma agente novata em 007 - Sem tempo para Morrer

Rami Malek é certamente o ponto fraco do filme. Seu vilão é genérico demais para marcar presença, e sua atuação é fraca e forçada, tirando qualquer profundidade do personagem e tornando suas motivações ainda piores, de forma a nunca o considerarmos como uma ameaça.

Rami Malek como o vilão Safin.

Mas o grande destaque do elenco é certamente Daniel Craig, que entrega uma atuação magistral em seu último filme como 007. Tudo em seu personagem está maravilhoso, dos momentos de tensão às tiradas cômicas. Com mais de 50 anos, Craig executa as cenas de ação com energia e vitalidade, mas seus melhores momentos são as cenas mais dramáticas, onde o ator dá ao personagem um ar de humanidade e fragilidade que são revigorantes para a prolongada franquia. O 007 de Craig já havia sido considerado o mais humano, e esse último filme serve para dar ao espião toda a complexidade e a profundidade que ele merece. A enorme atuação de Craig é, sem dúvida, o ponto que torna a sua despedida de James Bond espetacular.

James Bond (Daniel Craig), armado com uma metralhadora, invade um complexo de Safin.

No geral, Sem Tempo Para Morrer reúne os melhores aspectos da franquia 007 e os executa com maestria, adicionando alguns fatores novos interessantes na forma de profundidade de personagens e novos rostos interessantes e carismáticos. Mesmo que nem todos esses pontos funcionem devidamente, são erros que não prejudicam a trama tão gravemente, possibilitando à saga se despedir de mais um de seus intérpretes de uma forma eficaz e comovente.

007 - Sem Tempo Para Morrer já está disponível nos cinemas.

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007: Sem Tempo Para Morrer

007: Sem Tempo Para Morrer

Direção: 
Criação:
Roteirista 1
Roteirista 2
Roteirista 3
Diretor 1
Diretor 2
Diretor 3
Elenco Principal:
Ator 1
Ator 2
Ator 3
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Mesmo que se valha de muitos clichês e se torne cansativo em alguns momentos, o novo filme de 007 consegue impressionar com uma grande performance de seu protagonista e uma condução magistral de seu diretor, produzindo um final mais que digno para uma era.

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Luis Henrique Franco
1/10/2021

Ser fã da franquia 007 é saber que os filmes estão em uma montanha-russa constante de altos e baixos. O mesmo pode ser estendido para a era Daniel Craig dessa franquia, que apresentou obras-primas como Cassino Royale e Skyfall ao lado das decepções Quantum of Solace e Spectre. Sem Tempo Para Morrer, último filme dessa era do personagem, se encontra em um tipo de meio-termo. Mesmo que não seja o melhor filme de 007 já feito, ainda assim é extremamente bem conduzido e explora muito bem suas principais qualidades de forma a entreter o público e homenagear seu personagem.

A trama retoma o final de Spectre e encontra James Bond (Daniel Craig) aproveitando sua vida de aposentado ao lado de sua amada Madeleine Swann (Léa Seydoux). Mas quando os remanescentes da Spectre realizam um atentado contra a sua vida, a suspeita de Bond contra Madeleine o leva a se separar dela e buscar uma reclusão ainda maior do mundo. Enquanto isso, um novo vilão, Lyutsifer Safin (Rami Malek) revela uma nova e poderosa arma de destruição, colocando o MI-6 e toda a comunidade internacional em ameaça.

James Bond é perseguido por agentes da Spectre em cena na Itália

Vamos começar pelas partes ruins. E a maior delas é certamente a trama. Vilão genérico toma possa de uma arma de destruição em massa e espera conquistar poder mundial com isso. Não é só uma trama velha na franquia 007, mas no gênero de ação como um todo, e é impossível ignorar os clichês apresentados ao longo de todo o enredo. Alguns deles são bastante inteligentes e se apresentam como uma forma de autoconsciência do filme e como uma sátira aos clássicos da franquia, mas a constante repetição desses torna os momentos previsíveis e maçantes em vários momentos.

Mas contra esse problema, temos uma direção afiada e extremamente efetiva de Cary Fukunaga, que entrega uma condução exemplar e explora seus personagens e situações ao máximo, criando momentos de genuína tensão e surpresa ao lado de outros de alívio cômico bem executado e com ótimo timing. Seus momentos de maior destaque são certamente as cenas de ação, que recebem um andamento mais focado e sem o uso incessante de cortes abruptos a cada segundo. As sequências prolongadas permitem ao público compreender melhor o andamento das lutas e enfrentamentos, gerando uma maior satisfação diante da execução.

Daniel Craig como James Bond, disparando sua pistola em cena de confronto armado

Por causa dessa execução, que não permite (na maior parte do tempo) que cenas se prolonguem além do necessário, a audiência quase não percebe a longa duração do filme. Existem alguns problemas de ritmo, com algumas cenas não recebendo o peso devido e o terceiro ato sendo bastante cansativo, mas são raros momentos. Nos dois primeiros terços do filme, porém, o andamento é extremamente orgânico e compreensível, sem nunca se perder entre as contínuas mudanças de localidade, típicas de um filme de 007.

Cena de conversa entre Bond (Daniel Craig) e Blofeld (Christoph Waltz)

Outro ponto a ser debatido no filme é o elenco e as atuações. Em geral, os atores entregaram performances memoráveis, em especial os mais antigos. Ben Whishaw, Naomi Harris e Rory Kinnear continuem um bom elenco de apoio como os membros do MI-6 e antigos companheiros de Bond, fornecendo breves momentos de importância na trama e algumas situações cômicas divertidas. Já Ralph Fiennes entrega uma atuação excelente como M, contrastando a sua autoridade com momentos de surpreendente temor, ansiedade e arrependimento, dando ao antigo chefe de Bond uma complexidade ímpar.

Léa Seydoux possui mais tempo para brilhar e consegue desenvolver sua personagem melhor do que no filme anterior, ganhando mais profundidade emocional e uma presença maior na trama, mesmo que ainda não consiga entregar tudo que o papel demande, especialmente no lado de sua relação com Bond. Já Jeffrey Wright retorna como o agente Felix Leiter em uma participação divertida e de boa atuação, mas tão curta que não justifica muito a sua inclusão. O mesmo pode ser dito para Christoph Waltz, cuja participação é tão pequena que soa quase como um insulto para o seu personagem, Blofeld, e tudo o que ele representa na história da franquia.

Bond ao lado de Madeleine Swann (Léa Seydoux)

Quanto aos novos rostos, o grande crédito vai para o elenco feminino, que traz Lashana Lynch como uma nova agente 00 com quem Bond tem uma relação conturbada que rende alguns momentos cômicos. Mesmo que seu papel pareça antipático a princípio, Lynch consegue desenvolver sua personagem e conquistar um pouco a audiência, e seu trabalho teria sido ainda melhor se a personagem tivesse tido uma presença mais central no filme. Ana de Armas é outra boa adição ao elenco, com uma personagem divertida, carismática e que deveria ter recebido muito mais atenção na trama. Sua entrega ao papel faz com que sua pequena presença soe como um grande desperdício.

Ana de Armas em seu papel como uma agente novata em 007 - Sem tempo para Morrer

Rami Malek é certamente o ponto fraco do filme. Seu vilão é genérico demais para marcar presença, e sua atuação é fraca e forçada, tirando qualquer profundidade do personagem e tornando suas motivações ainda piores, de forma a nunca o considerarmos como uma ameaça.

Rami Malek como o vilão Safin.

Mas o grande destaque do elenco é certamente Daniel Craig, que entrega uma atuação magistral em seu último filme como 007. Tudo em seu personagem está maravilhoso, dos momentos de tensão às tiradas cômicas. Com mais de 50 anos, Craig executa as cenas de ação com energia e vitalidade, mas seus melhores momentos são as cenas mais dramáticas, onde o ator dá ao personagem um ar de humanidade e fragilidade que são revigorantes para a prolongada franquia. O 007 de Craig já havia sido considerado o mais humano, e esse último filme serve para dar ao espião toda a complexidade e a profundidade que ele merece. A enorme atuação de Craig é, sem dúvida, o ponto que torna a sua despedida de James Bond espetacular.

James Bond (Daniel Craig), armado com uma metralhadora, invade um complexo de Safin.

No geral, Sem Tempo Para Morrer reúne os melhores aspectos da franquia 007 e os executa com maestria, adicionando alguns fatores novos interessantes na forma de profundidade de personagens e novos rostos interessantes e carismáticos. Mesmo que nem todos esses pontos funcionem devidamente, são erros que não prejudicam a trama tão gravemente, possibilitando à saga se despedir de mais um de seus intérpretes de uma forma eficaz e comovente.

007 - Sem Tempo Para Morrer já está disponível nos cinemas.

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Mesmo que se valha de muitos clichês e se torne cansativo em alguns momentos, o novo filme de 007 consegue impressionar com uma grande performance de seu protagonista e uma condução magistral de seu diretor, produzindo um final mais que digno para uma era.

escrito por
Luis Henrique Franco
1/10/2021
nascimento

Mesmo que se valha de muitos clichês e se torne cansativo em alguns momentos, o novo filme de 007 consegue impressionar com uma grande performance de seu protagonista e uma condução magistral de seu diretor, produzindo um final mais que digno para uma era.

escrito por
Luis Henrique Franco
1/10/2021

Ser fã da franquia 007 é saber que os filmes estão em uma montanha-russa constante de altos e baixos. O mesmo pode ser estendido para a era Daniel Craig dessa franquia, que apresentou obras-primas como Cassino Royale e Skyfall ao lado das decepções Quantum of Solace e Spectre. Sem Tempo Para Morrer, último filme dessa era do personagem, se encontra em um tipo de meio-termo. Mesmo que não seja o melhor filme de 007 já feito, ainda assim é extremamente bem conduzido e explora muito bem suas principais qualidades de forma a entreter o público e homenagear seu personagem.

A trama retoma o final de Spectre e encontra James Bond (Daniel Craig) aproveitando sua vida de aposentado ao lado de sua amada Madeleine Swann (Léa Seydoux). Mas quando os remanescentes da Spectre realizam um atentado contra a sua vida, a suspeita de Bond contra Madeleine o leva a se separar dela e buscar uma reclusão ainda maior do mundo. Enquanto isso, um novo vilão, Lyutsifer Safin (Rami Malek) revela uma nova e poderosa arma de destruição, colocando o MI-6 e toda a comunidade internacional em ameaça.

James Bond é perseguido por agentes da Spectre em cena na Itália

Vamos começar pelas partes ruins. E a maior delas é certamente a trama. Vilão genérico toma possa de uma arma de destruição em massa e espera conquistar poder mundial com isso. Não é só uma trama velha na franquia 007, mas no gênero de ação como um todo, e é impossível ignorar os clichês apresentados ao longo de todo o enredo. Alguns deles são bastante inteligentes e se apresentam como uma forma de autoconsciência do filme e como uma sátira aos clássicos da franquia, mas a constante repetição desses torna os momentos previsíveis e maçantes em vários momentos.

Mas contra esse problema, temos uma direção afiada e extremamente efetiva de Cary Fukunaga, que entrega uma condução exemplar e explora seus personagens e situações ao máximo, criando momentos de genuína tensão e surpresa ao lado de outros de alívio cômico bem executado e com ótimo timing. Seus momentos de maior destaque são certamente as cenas de ação, que recebem um andamento mais focado e sem o uso incessante de cortes abruptos a cada segundo. As sequências prolongadas permitem ao público compreender melhor o andamento das lutas e enfrentamentos, gerando uma maior satisfação diante da execução.

Daniel Craig como James Bond, disparando sua pistola em cena de confronto armado

Por causa dessa execução, que não permite (na maior parte do tempo) que cenas se prolonguem além do necessário, a audiência quase não percebe a longa duração do filme. Existem alguns problemas de ritmo, com algumas cenas não recebendo o peso devido e o terceiro ato sendo bastante cansativo, mas são raros momentos. Nos dois primeiros terços do filme, porém, o andamento é extremamente orgânico e compreensível, sem nunca se perder entre as contínuas mudanças de localidade, típicas de um filme de 007.

Cena de conversa entre Bond (Daniel Craig) e Blofeld (Christoph Waltz)

Outro ponto a ser debatido no filme é o elenco e as atuações. Em geral, os atores entregaram performances memoráveis, em especial os mais antigos. Ben Whishaw, Naomi Harris e Rory Kinnear continuem um bom elenco de apoio como os membros do MI-6 e antigos companheiros de Bond, fornecendo breves momentos de importância na trama e algumas situações cômicas divertidas. Já Ralph Fiennes entrega uma atuação excelente como M, contrastando a sua autoridade com momentos de surpreendente temor, ansiedade e arrependimento, dando ao antigo chefe de Bond uma complexidade ímpar.

Léa Seydoux possui mais tempo para brilhar e consegue desenvolver sua personagem melhor do que no filme anterior, ganhando mais profundidade emocional e uma presença maior na trama, mesmo que ainda não consiga entregar tudo que o papel demande, especialmente no lado de sua relação com Bond. Já Jeffrey Wright retorna como o agente Felix Leiter em uma participação divertida e de boa atuação, mas tão curta que não justifica muito a sua inclusão. O mesmo pode ser dito para Christoph Waltz, cuja participação é tão pequena que soa quase como um insulto para o seu personagem, Blofeld, e tudo o que ele representa na história da franquia.

Bond ao lado de Madeleine Swann (Léa Seydoux)

Quanto aos novos rostos, o grande crédito vai para o elenco feminino, que traz Lashana Lynch como uma nova agente 00 com quem Bond tem uma relação conturbada que rende alguns momentos cômicos. Mesmo que seu papel pareça antipático a princípio, Lynch consegue desenvolver sua personagem e conquistar um pouco a audiência, e seu trabalho teria sido ainda melhor se a personagem tivesse tido uma presença mais central no filme. Ana de Armas é outra boa adição ao elenco, com uma personagem divertida, carismática e que deveria ter recebido muito mais atenção na trama. Sua entrega ao papel faz com que sua pequena presença soe como um grande desperdício.

Ana de Armas em seu papel como uma agente novata em 007 - Sem tempo para Morrer

Rami Malek é certamente o ponto fraco do filme. Seu vilão é genérico demais para marcar presença, e sua atuação é fraca e forçada, tirando qualquer profundidade do personagem e tornando suas motivações ainda piores, de forma a nunca o considerarmos como uma ameaça.

Rami Malek como o vilão Safin.

Mas o grande destaque do elenco é certamente Daniel Craig, que entrega uma atuação magistral em seu último filme como 007. Tudo em seu personagem está maravilhoso, dos momentos de tensão às tiradas cômicas. Com mais de 50 anos, Craig executa as cenas de ação com energia e vitalidade, mas seus melhores momentos são as cenas mais dramáticas, onde o ator dá ao personagem um ar de humanidade e fragilidade que são revigorantes para a prolongada franquia. O 007 de Craig já havia sido considerado o mais humano, e esse último filme serve para dar ao espião toda a complexidade e a profundidade que ele merece. A enorme atuação de Craig é, sem dúvida, o ponto que torna a sua despedida de James Bond espetacular.

James Bond (Daniel Craig), armado com uma metralhadora, invade um complexo de Safin.

No geral, Sem Tempo Para Morrer reúne os melhores aspectos da franquia 007 e os executa com maestria, adicionando alguns fatores novos interessantes na forma de profundidade de personagens e novos rostos interessantes e carismáticos. Mesmo que nem todos esses pontos funcionem devidamente, são erros que não prejudicam a trama tão gravemente, possibilitando à saga se despedir de mais um de seus intérpretes de uma forma eficaz e comovente.

007 - Sem Tempo Para Morrer já está disponível nos cinemas.

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