Chernobyl: O Filme é uma produção russa que reconta os eventos decorridos do terrível acidente nuclear da usina de Chernobyl, que devastou a região com contaminação radioativa, matando inúmeras pessoas e causando problemas vitalícios para inúmeras outras. Misturando eventos reais com uma trama de personagens fictícios, o filme foca naqueles que teriam sido os heróis desconhecidos que evitaram que a situação se tornasse ainda pior.
Pensando no fato de esta ser uma produção russa, seria esperado que o filme dirigido e atuado por Danila Kozlowsky expusesse um olhar mais crítico sobre o incidente, refletindo um pouco mais sobre a enorme tragédia e sobre o peso da burocracia para que tal catástrofe ocorresse. Por isso, é decepcionante como esse filme segue exatamente a fórmula esperada de filmes sobre incidentes reais e catástrofes, dramatizando o ocorrido e focando em ações e situações tensas ao invés de momentos de reflexão. Não que esse tipo de reflexão seja obrigatória para filmes desse tipo (aliás, muitas produções inspiradas em catástrofes reais não se dedicam a isso). Contudo, a falta desse olhar mais atento, íntimo e analítico faz com que o filme não se destaque entre outros do gênero.

Em especial porque, sob vários aspectos, Chernobyl: O Filme não é uma produção que se sustenta por completo. Seu principal problema é o ritmo de sua narrativa, que hora se demora em aspectos desnecessários e causam irritação e cansaço no público, hora acelera de uma maneira a deixar os eventos confusos e caóticos demais. Para se ter uma ideia, o longa leva trinta minutos para chegar ao evento da explosão do reator, o que não seria um problema se ele focasse um pouco mais na usina em si, nos personagens envolvidos nela e na preparação para o problema. Mas o filme perde esse tempo acompanhando o drama de um casal de protagonistas (Danila Kozlowsky e Oksana Akinshina) que acaba de se reencontrar e têm de lidar com os problemas de sua antiga relação e dos aspectos que os levaram a se separar. E nesse tempo todo, a usina não é sequer mencionada, de forma que, quando o incidente ocorre, o espectador já nem mais se lembra que está vendo um filme sobre o acidente.
Uma vez que o incidente de fato acontece, o filme sofre uma melhora significativa por voltar ao seu foco principal. Dentro desse aspecto, apesar de ainda possuir alguns momentos de problemas no ritmo, a narrativa se torna mais interessante por seguir os passos estabelecidos por longas do mesmo gênero, além de uma capacidade de realmente mostrar a urgência e o perigo da situação ao público. Essa solidez ao longo dos três quartos finais impedem que o filme seja um completo desastre, mas não fazem com que ele seja chamativo o suficiente para despertar o interesse do espectador.

Isso se agrava ainda mais pela completa ausência de carisma de seus atores principais. O bombeiro Alexey (Kozlowsky), protagonista da história, possui alguns elementos que o solidificam como herói da trama, mas sua construção é irritante e suas relações com os demais personagens parecem sempre extremamente forçadas , especialmente seu romance com Olga (Akinshina), no qual o filme perde mais tempo do que deveria. Assim, Chernobyl: O Filme possui uma trama que poderia ser forte e chamativa, mas que se perde por explorar o ponto de vista de personagens que são cansativos e irritantes demais para que o público estabeleça uma relação positiva com eles.

No fim, este é um filme que poderia ser pior. Apesar dos pesares, ainda assim é uma narrativa estruturada de maneira competente e que sabe a história que conta. Mas justamente por não possuir atrativos ou reflexões que a diferenciem das demais do gênero, a história de Chernobyl: O Filme é arrastada por seus aspectos negativos ao ponto de se tornar fraca mesmo diante de outras produções sobre o mesmo tema que foram lançadas recentemente.
Chernobyl: O Filme é uma produção da Paris Filmes e chega aos cinemas no dia 18 de novembro.