Zack Snyder é um diretor que se especializou em um tipo bem específico de filmes. Para o bem ou para o mal, seus filmes carregam suas marcas com bastante força e mostram um lado bastante autoral repleto das marcas individuais do autor. Dessa forma, mesmo que seus filmes não apresentem sempre as melhores narrativas, Snyder consegue manter ao seu lado uma grande legião de fãs que admiram o seu trabalho pelo que ele tem de único.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas é mais um exemplo de uma produção com a marca característica de Zack Snyder. Seu enredo conta a história de Scott Ward (Dave Bautista), um veterano de guerra que, a pedido do magnata Bly Tanaka (Hiroyuki Sanada), reúne uma equipe de especialistas para entrar em uma Las Vegas dominada por zumbis e roubar milhões de dólares de um cofre escondido em um cassino.
Só a ideia do filme já é absurda o bastante para chamar a atenção. Uma mistura do gênero de zumbis com o de roubo de cassino, Army of the Dead consegue ao menos fugir do estereótipo dos filmes de apocalipse, em que os personagens ou estão tentando fugir da zona de perigo e sobreviver a todo custo ou encontrar uma cura para a infecção. A partir dessa ideia inovadora, porém, o filme escorrega em algumas armadilhas. A primeira delas é a demora para se entrar definitivamente na ação. O primeiro ato é excessivamente longo, mesmo com a desculpa de estar preparando a equipe e os acontecimentos seguintes. Nessa demora, são forçados alguns conflitos entre os personagens, que só são piorados pelas atuações questionáveis de Dave Bautista e de Ella Purnell, que interpreta Kate Ward, filha de Scott que atua como voluntária em um campo de refugiados.

Uma vez dentro da Vegas arrasada, Snyder entrega uma sequência de exageros narrativos que extrapolam o suportável em vários momentos. A ideia de que alguns zumbis são mais fortes e inteligentes que os demais é até interessante dada a construção feita pelo filme, mas o longa pega essa ideia e a transforma em um absurdo que até chega a ser engraçado, criando zumbis tão inteligentes que são capazes de ter relações afetivas entre si, chegando até mesmo a construir famílias e, ao que tudo indica, se reproduzirem...

Uma vez passados esses exageros, o filme ainda assim decepciona em alguns pontos. Isso porque, apesar de Snyder certamente ter boas ideias (na maioria das vezes), ele parece não conseguir evitar alguns clichês dos filmes de zumbis. Por causa disso, vemos personagens que supostamente deveriam ser especialistas em combate tomando decisões estúpidas e entrando em conflitos constantes um com o outro. Em vários momentos, essas disputas os levam a entregarem um ao outro à morte, comprometendo o grupo todo. Algumas disputas e motivos para o ódio são compreensíveis, mas não há ponto de justificar sacrifícios idiotas de pessoas que poderiam ajudar a completar a missão.
Para todos os critérios críticos, Army of the Dead é uma bagunça, cheio de decisões questionáveis, absurdos que beiram à vergonha alheia, clichês e momentos que poderiam ser facilmente cortados. Mesmo assim, o filme ainda carrega consigo um trunfo poderosíssimo: é um filme dirigido por Zack Snyder. Assim sendo, o diretor faz questão de deixar a sua marca, de forma a fazer o filme se destacar e permanecer na mente de seu público. Mesmo com seus absurdos e momentos questionáveis, o filme chega aonde pretende chegar, resultando em um terceiro ato explosivo que entrega tudo o que conhecemos sobre Snyder: ação de tirar o fôlego, sequências longas de tiroteio, explosões e muita câmera lenta. E a forma como ele faz uso disso é suficiente para prender um espectador e levá-lo ao final do filme.

Para além disso, o filme também consegue criar alguns personagens bastante carismáticos. Matthias Schweighofer é bem divertido como um arrombador de cofres entusiasmado, mas completamente inexperiente em combate, e sua relação com o soldado interpretado por Omari Hardwick possui uma química bastante interessante que convence o público da evolução dos dois para melhores amigos.

Nora Arnezeder também desenvolve uma personagem interessante como a Coiote, uma mulher que consegue levar qualquer um para dentro ou fora de Las Vegas e que é perturbada por um passado cheio de decisões que deixaram diversas pessoas para trás, algo que ela busca remediar. De certa forma, seu arco é um dos melhores do filme em questão de desenvolvimento.

Já Hiroyuki Sanada parece um desperdício dentro do longa. O ator japonês que obteve grande fama nos últimos anos aparece como uma espécie de organizador do esquema e como um vilão secundário. Sua presença na trama, contudo, parece muito mais uma participação especial do que de fato um papel extremamente importante. Uma vez que a ação de fato começa, Sanada é praticamente esquecido e não volta a ter importância no filme, o que é uma pena.

No fim, o maior erro de Army of the Dead é que parece ser um filme que se leva a sério demais. Para um filme cheio de absurdos e ideias ridículas, tudo, inclusive as atuações, é extremamente sério e espetacular demais, quando na realidade o filme é exatamente o que se espera: um grande e absurdo blockbuster de ação. Se não for levado com tamanha seriedade, é até uma experiência divertida.

O que você achou de Army of the Dead? Deixe abaixo seu comentário!