Entre as inúmeras séries de investigação policial, Lúcifer é talvez uma das mais inovadoras em seu conceito. Trazendo o próprio diabo como um ajudante da Polícia de Los Angeles, a série conseguiu introduzir um lado sobrenatural e bastante divertido às suas histórias, ao mesmo tempo em que introduziu discussões bastante interessantes sobre religião, perdão e muitos outros assuntos.
Por muitos anos, acompanhamos Lúcifer (Tom Ellis) enquanto ele atuava como consultor da polícia e importunava a detetive Decker (Lauren German) com seus comentários indesejados e sua atitude teimosa. E, seja nos casos de crimes cometidos na cidade, nas discussões bastante acaloradas entre ele e os personagens humanos ou na presença de outras entidades sobrenaturais na cidade, é inegável que a série nos rendeu grandes momentos ao longo de sua duração. E agora, com sua última temporada prestes a estrear na Netflix, relembraremos alguns desses icônicos momentos na série, e seu impacto na narrativa como um todo.
A LIGAÇÃO COM CHLOE
Desde os primeiros episódios, Lúcifer se consagrou por construir uma relação interessante entre seus protagonistas. Mas mais do que a relação do tipo parceria que se torna romance, as interações entre Lúcifer e Chloe foi carregada por um fator adicional: a estranha ligação que a detetive parece ter com o anjo caído. Não só ela atrai o protagonista muito mais que outras mulheres, como também parece imune aos seus poderes.
Nas primeiras temporadas, quando a detetive ainda não conhece a real natureza de Lúcifer, essa ligação é bem trabalhada para proporcionar um mistério maior entre os dois. Um dos pontos mais importantes para essa construção é a revelação da vulnerabilidade de Lúcifer quando próximo a Chloe. Nos primeiros episódios, o protagonista é extremamente inconsequente por saber que balas e armas humanas não podem feri-lo. Diante dessa confiança, ele provoca a detetive para que atire nele, como uma forma de revelar sua real natureza a ela. Mas, quando a bala de Chloe o atinge, Lúcifer se vê machucado e sangrando.
A revelação é um momento de extrema importância. Além de reforçar o mistério da ligação entre os dois, o momento também constrói um ponto fraco e um risco para o protagonista aparentemente invencível. Tal vulnerabilidade acaba, então, sendo explorada por todos os inimigos que a descobrem. Um dos pontos mais críticos onde essa fraqueza é explorada é quando Amenadiel (D.B. Woodside), em uma tentativa de fazer seu irmão retornar ao Inferno, desperta um policial corrupto de seu coma para que ele assassine Lúcifer e o envie de volta ao seu posto no mundo inferior.
A MORTE DE URIEL
A principal trama da segunda temporada de Lúcifer gira em torno da chegada da Mãe, a entidade divina com quem Deus teve Lúcifer, Amenadiel e todos os seus filhos, à Terra. Reencarnada no corpo de uma advogada morta recentemente, ela perambula pela cidade até encontrar seu filho e pedir pela sua proteção, enquanto planeja a sua própria vingança contra Deus, que a abandonou.
Obviamente, nem todos estão felizes com a presença dela na Terra. Com o objetivo de matar o corpo humano onde ela habita a fazê-la retornar ao lugar de onde veio, um dos anjos celestiais, Uriel, é enviado à Terra. Lúcifer e Amenadiel tentam detê-lo, mas ele possui o incômodo poder de prever todas as possíveis ações que irão se desenrolar no futuro, tornando-o um adversário formidável de se enfrentar. O confronto é acirrado e, no final, Uriel quase consegue o que quer. É nesse momento que, em um ato desesperado, Lúcifer faz algo que até o seu irmão não conseguiu prever e o mata.
Apesar de ser um ato necessário para a preservação da Mãe na Terra, a morte de Uriel é um acontecimento que atormenta bastante todos os envolvidos. Amenadiel se vê impotente pela sua perda de poderes, e a Mãe se ressente pela perda de um de seus filhos. Lúcifer, é claro, é quem mais sofre com tudo isso, tendo sido o responsável direto pela morte do irmão. Sua dor é tanta que ele inclusive vê a cena da morte de Uriel como seu castigo pessoal no Inferno, no momento em que ele retorna para o submundo por um breve período de tempo.
LINDA DESCOBRE A VERDADE
Ao longo da série, um dos principais motores para as relações dos personagens é a necessidade de Lúcifer de manter sua identidade em segredo. Mesmo que isso seja algo de extrema importância, um a um seus companheiros vão descobrindo a verdade, e suas reações são sempre o esperado de terror e aflição. A primeira das personagens a descobrir sua real identidade é Linda (Rachael Harris), a sua terapeuta.
Por duas temporadas, Linda tratou Lúcifer como um humano normal, mas que sempre expunha seus problemas sob a forma de metáforas religiosas, algo que sempre a deixou muito interessada. Mas até mesmo a paciência dela tem um limite, e então ela pede que ele lhe diga a verdade, sem mais metáforas ou histórias inventadas. É então que Lúcifer mostra a ela seu verdadeiro rosto e revela que tudo o que ele dizia era real, para o choque da doutora.
A revelação é um dos motivos para Linda se afastar de Lúcifer, Amenadiel e Maze (Lesley-Ann Brandt), que ela descobre serem todos celestiais ou demônios. É uma reação normal e esperada, até mesmo pelo próprio Lúcifer. O surpreendente, no entanto, é a forma como Linda, após um certo tempo, consegue voltar a entrar em contato com os três e a tratar Lúcifer em suas sessões, não mais interpretando suas palavras como metáforas mais sim como algo real e muito mais perturbador.
DEUS EM CENA
Embora fosse um risco que nem todos gostariam de correr (por motivos religiosos), era claro que, cedo ou tarde, a série iria trazer Deus para a sua trama. Como uma figura tão importante para a formação de Lúcifer e Amenadiel, era muito claro que ele teria que fazer uma aparição em algum momento. E, mesmo que sua chegada à série tenha demorado um pouco para ocorrer efetivamente, Deus acabou fazendo uma aparição especial em um episódio da segunda temporada.
na trama, Lúcifer e Chloe visitam um hospital psiquiátrico, onde um paciente afirma ser Deus. Lúcifer, é claro, quer ter certeza de que tal pessoa não é seu pai. Mas, para sua surpresa, Deus está realmente dentro do paciente, devido ao uso de um amuleto celestial especial. A partir de então, ele, Amenadiel e a Mãe passam a questionar o paciente para tirar satisfações sobre seu comportamento e reconstruir um pouco da conturbada relação com a entidade divina, ao mesmo tempo em que tentam solucionar o caso. No final, Deus deixa o corpo do paciente, e Lúcifer é deixado sozinho com uma raiva gigantesca por ainda não compreender todos os propósitos de seu Pai.
O momento não seria a última aparição de Deus na série. Ele retornaria em um episódio especial da terceira temporada apenas na forma da voz de Neil Gaiman, antes de fazer sua estreia definitiva na quinta temporada. Ainda assim, esse momento da segunda temporada é importante para solidificar as relações dos personagens celestes com sua figura paterna, definir seus objetivos finais para a segunda temporada e deixar os sentimentos de Lúcifer a respeito de seu Pai ainda mais complexos.
AS ASAS RETORNAM
Nas primeiras temporadas, um dos aspectos que mais representavam a quebra da relação entre Lúcifer e seu pai eram as asas. Tendo sido banido do Céu, Lúcifer foi ceifado de suas enormes asas brancas, que ele sempre deixou à mostra em sua boate como um enfeite, mas também como uma lembrança horrível. Em certo ponto, Lúcifer, tomado de dor, ateia fogo às asas, simbolizando seu rompimento completo com Deus e os celestiais.
Mas parece que seu pai tinha outros planos. No final da segunda temporada, Lúcifer parece estar pronto para contar a Chloe sua real identidade. É nesse momento, entretanto, que ele é atacado e desmaia. Quando desperta novamente, o anjo caído se encontra no meio de um deserto, sem camisa e com suas enormes asas brancas abertas.
O retorno das asas é um grande mistério para a terceira temporada. Não só pelo seu retorno místico, como também pelo fato de elas aparentemente tirarem de Lúcifer o seu rosto de Diabo e os seus aspectos demoníacos. Durante toda a temporada, ele luta para reaver essas características enquanto tenta entender a vontade de seu Pai para que isso acontecesse.
CHARLOTTE E AMENADIEL
Dois personagens que certamente cresceram muito ao longo da série foram Amenadiel e Charlotte (Tricia Helfer). Na terceira temporada, ambos enfrentam enormes dilemas pessoais, com Amenadiel tendo perdido seus poderes e não conseguindo voltar para casa, e Charlotte que, após ser ressuscitada pela Mãe, fica extremamente preocupada com a possibilidade de ir para o Inferno quando morrer.
Em meio a todos esses dilemas, os dois acabam se encontrando e desenvolvendo uma amizade interessante, que culmina em um encontro dos dois em um parque isolado. Ali, eles têm uma importante conversa sobre aquilo que fizeram em vida e em tudo o que acreditam, se tornando um momento bastante singelo e agradável no arco de ambos os personagens. Momento este que, infelizmente, é arruinado quando Cain, na tentativa de ferir Lúcifer, tenta matar Amenadiel, mas acaba atingindo Charlotte no lugar.
O que se construiu como um momento de tranquilidade logo se torna um dos episódios mais tristes da série, com Amenadiel sendo o único presente para se despedir de Charlotte. Mas este também é o momento de conclusão para ambos os arcos, uma vez que Charlotte aceita aquilo que fez em vida e se livra de sua culpa, sendo por isso aceita no Céu. E Amenadiel, tendo recuperado brevemente os seus poderes e aceitado seu lugar entre humanos, é aquele que leva a sua alma para o reino celeste.
O DUELO COM CAIN E A DESCOBERTA DE CHLOE
Cain (Tom Welling) foi certamente uma figura extremamente importante durante a terceira temporada. Disfarçado como o novo tenente da delegacia, ele se mostra uma figura bastante complexa e que deseja, acima de tudo, se livrar da marca que o torna um imortal. Durante uma parte da temporada, Lúcifer tenta ajudá-lo, mas logo se torna claro que os dois não se entendem tão bem como pensavam, e o lado sombrio de Cain logo se mostra quando ele tenta atingir Lúcifer diretamente e assassinar seus companheiros.
O final da temporada colocou as duas figuras uma contra a outra, debatendo sobre os desígnios de Deus para amaldiçoar cada um deles e o quanto as ações de ambos eram justificadas ou não. Após uma luta bastante intrigante, Lúcifer leva a melhor e apunhala Cain que, já não possuindo mais a sua marca, não resiste ao ferimento e morre. Por um breve momento, ele sorri, achando que suas últimas boas ações o levariam ao Céu, mas então Lúcifer o lembra da morte de Charlotte e de como aquilo o levaria ao Inferno.
Mas a morte de Cain não é o momento mais importante do final da temporada, visto que este também é o momento em que Chloe, retornando ao local da luta, finalmente vê o rosto demoníaco de Lúcifer e compreende a sua real identidade. Após três temporadas de mistério e de construção, esse momento se tornou um dos mais essenciais da série, principalmente após o resgate da mesma pela Netflix. A descoberta de Chloe é um dos maiores motores para a relação entre ela e Lúcifer nas temporadas seguintes, desde o seu pavor diante dele até a sua lenta aceitação de quem ele é.
A ACEITAÇÃO
Quando a Netflix trouxe Lúcifer de volta para a sua quarta temporada, o principal ponto de tensão da trama era justamente a reação de Chloe diante da natureza de Lúcifer. E muito embora os dois tenham continuado a trabalhar juntos ao longo da temporada, como de costume, a compreensão e aceitação por parte dela foi um processo naturalmente longo e custoso. Não só isso, mas ao longo da temporada, eventos catastróficos levam essa relação a momentos de tensão cada vez maiores.
Um dos pontos culminantes nessa jornada é o momento que Lúcifer descobre que todo o seu corpo está se tornando completamente demoníaco. Primeiro, suas asas se tornam escuras e membranosas. Depois, ele se encontra com cada vez mais dificuldade de manter seu rosto escondido, a ponto de precisar usar uma máscara para esconder seu "eu" verdadeiro. No fim do que parece um caso alarmante, Lúcifer, cansado de se esconder, se abre completamente para Chloe.
Esse momento único de vulnerabilidade do personagem é um dos marcos mais importantes da relação do casal. Despido de qualquer disfarce, Lúcifer encara Chloe em sua forma demoníaca, expondo seus medos e sua frustração. E é justamente nesse momento em que Chloe aceita quem ele é e se torna receptiva à sua verdadeira natureza. Mais importante do que isso, a aceitação dela é o suficiente para que Lúcifer consiga controlar seus poderes novamente, fazendo um voto de tentar a todo o custo se tornar uma pessoa melhor por ela. Sem dúvida, é um momento muito belo, não fosse pelo problema que estava prestes a eclodir...
LÚCIFER RETORNA PARA O INFERNO
A aceitação de Chloe seria certamente um grande marco final para a quarta temporada, mas infelizmente Eva (Inbar Lavi) tinha outros planos. Em uma tentativa desesperada de obter a atenção de Lúcifer novamente, ela acaba invocando um demônio no corpo do padre Kinley (Graham McTavish). A partir desse ponto, inúmeros demônios começam a ser invocados para tentar levar Lúcifer de volta ao inferno e, quando estes falham, um verdadeiro Cataclisma começa a se instalar, conforme os servos demoníacos passam a buscar um novo ser celestial para comandar o submundo.
Após alguma procura, eles acabam se contentando com o filho recém-nascido de Amenadiel e Linda, e o sequestro do bebê provoca uma reação nos protagonistas, levando a um grande confronto final com as forças do Inferno. Um confronto que eles não parecem ser capazes de vencer, até que Lúcifer assume sua forma demoníaca e comanda seus servos e retornarem imediatamente ao Inferno.
A princípio, esse parece ser um final feliz para a temporada, até ser revelada a percepção de Lúcifer de que, sem ele no Inferno, os demônios andariam descontrolados e poderiam causar novos problemas. Para realmente deixar todos em ordem, ele precisaria voltar ao seu reino no Submundo, deixando Chloe e sua vida na Terra para trás. Após tantas temporadas, é surpreendente ver o amadurecimento do protagonista, a ponto de abdicar de sua felicidade para proteger aqueles que ama.
DEUS EM CENA (DE NOVO)
Com a chegada da quinta temporada, Deus já havia feito duas "aparições" dentro da série. A primeira quando ele tomou posse do corpo de um homem comum na segunda temporada, e a segunda na voz de Neil Gaiman na terceira temporada. Mas foi apenas na metade da quinta que Deus (Dennis Haysbert) apareceu em sua forma real.
Ao longo dessa temporada, vimos o conflito entre Lúcifer e seu irmão gêmeo Miguel escalonar a níveis extremamente destrutivos, enquanto Miguel tentava destruir a vida terrestre de seu irmão e plantar dúvidas corrosivas em todos os personagens da série. Na metade da temporada, o conflito já se alastrou a dimensões tão intensas que uma briga colossal eclode entre Lúcifer e Amenadiel contra Miguel e Maze. E é nesse momento que uma poderosa luz é vista no local, enquanto uma voz poderosa faz com que todos parem de lutar. Alguns segundos depois, Deus surge em seu corpo terrestre, na cena final do episódio.
Introduzir Deus na série foi um ato arriscado, mas ao mesmo tempo interessante para dar continuidade e, inclusive, desfecho para alguns dos arcos mais duradouros da série. Com a presença física do personagem, vários conflitos de Lúcifer e Amenadiel com seu pai foram aos poucos sendo resolvidos e reestruturados, ao mesmo tempo em que sua presença foi de vital importância para o andamento da trama da temporada. Além disso, a interpretação de Haysbert deixou o personagem divertido e misterioso sem tirar dele seu poder e autoridade, concedendo-lhe respeito ao mesmo tempo em que o encaixava bem no tom geral da série.
A MORTE DE DANIEL
Daniel Espinoza (Kevin Alejandro) foi um dos personagens mais marcantes da série. Ex-marido de Chloe, ele começou como um rival de Lúcifer na delegacia, mas aos poucos foi se tornando extremamente complexo, evoluindo para um grande parceiro na investigação de crimes, um amigo especial para Amenadiel e uma presença carismática na série. Por causa de tudo isso, sua morte foi um dos momentos mais tristes e pesados da quinta temporada.
Envolvido em uma grande investigação, Dan acaba sendo sequestrado enquanto tenta resolver um crime. Torturado e interrogado por membros de uma poderosa máfia, ele consegue usar de sua inteligência para escapar de suas amarras, mas enquanto tenta fugir, é atingido pelas balas do líder da gangue, que dispara inúmeras vezes contra ele. Quando Chloe finalmente o encontra, é tarde demais.
A morte de um personagem tão querido foi um abalo para os fãs tanto quanto para os personagens. Lúcifer e Maze são extremamente torturados pela perda e desembocam em uma vingança furiosa, enquanto Chloe se vê incapaz de consolar a sua filha pela perda do pai e Amenadiel é envolvido pela angústia de perder um amigo extremamente próximo. A situação só se torna ainda pior quando é revelado que Dan, por possuir alguma culpa interna dentro de si, não ascendeu ao Céu após a sua morte, tornando-se assim um dos possíveis pontos a serem abordados na sexta e última temporada.
"OH, MEU 'EU'!"
O grande momento final da quinta temporada. Após descobrir que seu pai está pensando em se aposentar do trabalho como Deus, Lúcifer decide que este é um serviço que ele pode prestar ao mundo. Contrariando todos os seus irmãos celestiais, ele lança a sua candidatura, mesmo sabendo que suas chances de vencer seu gêmeo, Miguel, são pequenas.
Acompanhado por Chloe, Maze, Amenadiel e Eva, Lúcifer lança seu desafio e convoca uma eleição entre os seres celestiais. A votação, no entanto, logo se transforma em uma luta entre ele e Miguel, na qual Chloe é vitimada. Sofrendo e desejando salvá-la, Lúcifer contraria o mandato celestial e sobe aos Céus para trazê-la de volta, sacrificando com isso sua própria vida. Ou era o que todos pensavam, pois após alguns minutos, Lúcifer retorna à Terra, intacto e portando consigo os poderes divinos.
O momento é o ápice do arco de Lúcifer. Tendo começado sua jornada como alguém que detestava seu pai e seu trabalho, ele agora se torna o Todo-Poderoso, diante do qual seus irmãos se ajoelham. Como um enorme preparativo para a última temporada, a ideia do que ele poderia fazer com seus novos poderes é motivo de muita expectativa (e também de alguns sérios temores).
E vocês? Quais os seus momentos favoritos da série Lúcifer, e quais as suas expectativas para a última temporada?