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Análise & Opinião

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'What If...?': os resultados da primeira exploração do multiverso no MCU

6/10/2021

What if...? foi uma série que prometeu muito dentro do MCU, trazendo a primeira exploração definitiva do Multiverso. Mas será que os frutos dessa produção foram bons o bastante para solidificar a investida da Marvel em seus múltiplos universos?

escrito por
Luis Henrique Franco

What if...? foi uma série que prometeu muito dentro do MCU, trazendo a primeira exploração definitiva do Multiverso. Mas será que os frutos dessa produção foram bons o bastante para solidificar a investida da Marvel em seus múltiplos universos?

escrito por
Luis Henrique Franco
6/10/2021

Com os finais de Loki e WandaVision e a promessa trazida por Homem-Aranha: Sem Volta ao Lar e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a ideia de um Multiverso Marvel é mais do que definitiva, e as primeiras explorações desse tema já começaram a surgir. A mais notória desses últimos tempos é certamente a série What If...?, cuja premissa é justamente a exploração desse vasto multiverso de possibilidades infinitas.

Acompanhados pelo Vigia (Jeffrey Wright), o público é levado para novos universos, nos quais, a partir de alguma mudança, muitas vezes pequena, na história que já conhecemos, os destinos dos heróis da Marvel é completamente mudado, e toda a construção do universo que conhecemos sofre alterações drásticas. Com base apenas nessas pequenas mudanças, a exploração do multiverso certamente se mostrou algo interessante e convidativo. Mas como ela se solidificou na prática?

EPISÓDIO 1 - UM COMEÇO MORNO

O primeiro episódio de What If...? explora a possibilidade que ocorreria se a agente Peggy Carter tivesse sido aquela que tivesse tomado o soro do supersoldado, no lugar de Steve Rogers. A ideia é realmente interessante, colocando a primeira companheira do herói como a verdadeira heroína e explorando como ela lidaria com os problemas da Segunda Guerra Mundial e da invasão da HYDRA de forma diferente de Steve Rogers. O episódio também mostra como Steve, apesar de sem seus poderes, ainda se dispõe a lutar ao lado dela, usando para isso uma armadura especial construída por Howard Stark. Juntos, eles partem para enfrentar o Caveira Vermelha, que planeja trazer um poderoso "campeão" da HYDRA para enfrentar a dupla.

Capitã Carter lidera sua equipe enquanto deixa uma base tomada da HYDRA.

Apesar de uma premissa muito interessante, o primeiro episódio não se distancia quase nada de Capitão América: O primeiro Vingador. Sua história praticamente resume o primeiro filme do herói e repete seus passos, apenas colocando Peggy no lugar de Steve. Não é um episódio ruim ou mal realizado, mas fica clara a apreensão da Marvel em começar a exploração do Multiverso e sua preferência por se ater a algo conhecido e seguro, mas que decepciona o público justamente por não permitir que uma história realmente nova se desenvolva.

EPISÓDIO 2 - UMA BELA HOMENAGEM

O segundo episódio mostra o que aconteceria se, por um engano técnico, T'Challa tivesse sido levado por Yondu no lugar de Peter Quill. Nesse cenário, ao invés do Senhor das Estrelas saqueador, egoísta e criminoso, temos um herói galáctico, disposto a ajudar aqueles ao seu redor e cujo altruísmo e liderança afetam inclusive algumas pessoas inimagináveis, como Taserface, Nebulosa e inclusive o próprio Thanos, que deixou de ser um maníaco genocida para começar a ajudar as pessoas ao seu redor.

T'Challa, o Senhor das Estrelas, e os Saqueadores deixam a sua nave após uma missão.

Ao contrário do primeiro, o segundo episódio realmente provoca alterações divertidas no universo conhecido. É interessante ver uma nova formação dos Guardiões, mais altruísta e com um planejamento de ação mais efetivo, e que realmente faz o bem à galáxia sem pensar no pagamento a ser recebido. É extremamente divertido ver as relações de T'Challa e Yondu e entre Nebulosa e Thanos à medida que todos eles se unem para tentar acabar com o poderio do Colecionador, que agora é um vilão poderoso que domina Luganenhum com uma mão de ferro.

Mas o episódio também funciona como uma excelente homenagem a Chadwick Boseman e a T'Challa, revelando toda a sua personalidade e natureza heroica, mesmo sem o manto de Pantera Negra. A reafirmação da bondade e da força do personagem em qualquer manto que ele use funciona como uma despedida para aquele que, para muitos, foi um dos maiores heróis do MCU. Quase um ano após a sua morte, e esse episódio realmente lembrou as pessoas de porque ele foi tão querido.

EPISÓDIO 3 - UM MUNDO SEM VINGADORES

No terceiro episódio, a série What If...? mergulhou em um thriller de investigação quando os Vingadores originais começaram a morrer um atrás do outro, por razões misteriosas. Isso levou Nick Fury e a Viúva Negra a investigarem por conta própria, enquanto os eventos transcorridos entre Homem de Ferro 2, O Incrível Hulk e Thor se desenrolavam no universo. Com seus principais heróis sendo abatidos um após o outro, e com o risco de uma poderosa invasão asgardiana ao seu planeta, Fury precisa pensar rápido para resolver a questão e salvar a Terra.

A Viúva Negra, acusada de assassinar Tony Stark, é escoltada pelos soldados da SHIELD, liderados por Rumlow.

Mais do que uma boa história de investigação, o terceiro episódio ainda estabelece um ponto de insegurança que o público ainda não havia tido no MCU. Desde o começo desse universo, existe uma certa segurança causada pela existência dos Vingadores. Por causa deles, sentimos que mesmo um vilão poderoso como Thanos não escapará impune caso cause destruição na Terra. Ao destruir a equipe antes mesmo dela começar, What If...? literalmente destrói esse escudo ao qual estamos habituados e estabelece um pressuposto real para o que poderia acontecer se os maiores heróis da Terra fossem todos mortos. Sem nenhuma dúvida, uma atitude extremamente ousada da Marvel.

EPISÓDIO 4 - A SIMPATIA PELO SOFRIMENTO DE UM ESTRANHO

Um dos melhores episódios da série é também o mais triste. Nesse universo, vemos o que aconteceria se, na noite de seu acidente, o Doutor Estranho não perdesse o movimento das mãos, mas sim o seu amor, Christinne. Movido pela dor e pelo luto, ele se torna o Mago Supremo e conquista o posto que estamos familiarizados, mas a dor que sente é tão grande que o leva a buscar maneiras de trazer Christinne de volta. Mesmo alertado de que esse evento não pode ser alterado, Stephen tenta de novo e de novo, consumindo seres místicos e absorvendo seus poderes para ficar mais forte, até que seu poder é tanto que ele consegue quebrar o marco da morte de sua amada, trazendo terríveis consequências para o Universo.

O Doutor Estranho Supremo tenta conter a desintegração de sua realidade.

Com uma história extremamente triste, o quarto episódio se sobressai em um aspecto de extrema importância: a construção singular de seu protagonista. Estabelecido como um mago poderoso e arrogante no MCU, Stephen Strange sempre teve uma natureza inteligente e ácida desde a sua introdução. Nesse episódio, porém, sua natureza é melancólica, e analisamos um lado muito mais sentimental e aberto do Doutor Estranho. Um lado que abandona completamente a racionalidade e o pensamento lógico do médico transformado em feiticeiro e mostra um lado emotivo e passional com o qual podemos nos identificar muito facilmente. Assim, mesmo que as ações dele levem a um destino sombrio para toda aquela realidade, não o condenamos por completo, pois acompanhamos todo o seu desespero e sofrimento.

EPISÓDIO 5 - ZUMBIS? ZUMBIS!

Nesse episódio especial, que adapta a consagrada HQ Marvel Zombies, Bruce Banner é enviado de volta à Terra para alertar aos Vingadores sobre a chegada de Thanos. Contudo, o que ele encontra ao voltar é uma Terra completamente devastada após um vírus do Reino Quântico, trazido por Hank Pym e sua esposa, transformar todos os infectados em zumbis. Agora, acompanhado por um grupo de heróis sobreviventes, que inclui o Homem-Aranha, o Soldado Invernal, a General Okoye e muitos outros, Bruce irá lutar para proteger esse pequeno grupo e manter viva a esperança de recuperação da Terra.

Capitão América como um zumbi.

O episódio 5 de What If...? é um de reações mistas. Por um lado, a adaptação do apocalipse zumbi é muito bem-feita, de forma que a história se torna coerente e possível dentro do MCU. Além disso, os personagens são bem interessantes, e vários aspectos deles são explorados de uma forma que os filmes ainda não mostraram, como o amadurecimento de Peter Parker e a redenção do Hulk (algo que certamente ficou faltando em Guerra Infinita). Por outro lado, sua história não vai para lugares completamente inesperados e, salvo uma surpresa ou outra, é bastante previsível. Além disso, mesmo que queira aparentar o contrário, o episódio não dá às suas mortes e sacrifícios todo o peso que gostaria.

No geral, é um episódio bem feito e com muita coisa boa em si. A principal delas é justamente o sucesso em adaptar uma HQ que todos julgavam impossível dentro da construção atual do MCU. Mas mesmo assim não é um episódio perfeito. Não se trata de uma história ruim, mas sim de uma narrativa que poderia ter ido um pouco mais longe.

EPISÓDIO 6 - O VILÃO TRIUNFA

O sexto episódio da série se dedicou a reverter o grande momento inicial do MCU. Graças à presença de Killmonger no Afeganistão, Tony Stark é salvo do atentado que quase custou sua vida, mas que também foi o responsável por transformá-lo no Homem de Ferro. A partir desse ponto, vemos como todo o arco de evolução de Stark é destruído pela ausência desse momento, ao mesmo tempo em que assistimos ao desenrolar do plano de Killmonger para retornar a Wakanda e ocupar seu lugar na família real.

Killmonger encontra Tony Stark após o ataque dos Dez Anéis ao comboio no Afeganistão.

O que torna a história desse episódio tão forte não é necessariamente a trama em si, mas a forma como ela explora muito bem seus personagens. Reconhecemos de imediato a importância do atentado para a jornada de Tony e, a partir do momento em que ela não se inicia, não temos mais um herói para acompanharmos. Ao invés disso, vemos como um vilão muito aclamado pelo público cresce em influência nas Indústrias Stark e tece seu plano com extremo cuidado. Killmonger é a grande estrela do episódio e, se em Pantera Negra ele já havia conquistado o público, aqui temos um prazer secreto em vê-lo triunfar com seu plano, mesmo que à custa de alguns grandes heróis do universo.

A análise da inteligência e da causa de Killmonger é o que faz esse episódio ser tão especial, mesmo que em algumas partes a trama fique um pouco confusa, com o plano do vilão parecendo criar camadas adicionais sem necessidade no final. Ainda assim, a forma como o personagem ocupa seu lugar em Wakanda e extremamente satisfatória, mesmo que no fundo sintamos uma pequena ponta de culpa por torcermos por um vilão.

EPISÓDIO 7 - UM TOM MAIS LEVE, QUE NÃO FUNCIONA BEM

No sétimo episódio, analisamos as consequências para o Multiverso caso Odin não tivesse ficado com Loki, fazendo de Thor um filho único. Como consequência disso, Thor nunca teve uma rivalidade na infância que o ensinasse algo sobre responsabilidade, transformando-o em um bobo fanfarrão que não se importa com nada além de festa. E quando esse bobo fanfarrão vem à Terra para festejar, as consequências podem parecer tão ruins para os humanos que até mesmo a poderosa Capitã Marvel precisa ser chamada.

Thor tenta limpar os vestígios de sua grande fetsa na Terra.

Após alguns episódios bem sombrios, What If...? decide assumir um tom mais leve e divertido, valendo-se do carisma de Thor como personagem cômico para gerar um episódio mais engraçado e descontraído. Entretanto, a escolha não funciona tão bem quanto poderia. Mesmo que o episódio tenha alguns bons momentos e proporcione aos fãs uma luta entre Thor e Capitã Marvel para ver quem é o mais poderoso, a trama simplesmente acompanha o deus do Trovão saltando de uma festa para a outra, sem desenvolver muito suas relações ou um conflito realmente envolvente. Além disso, o tom de sátira e comédia acaba tirando muito do desenvolvimento de alguns personagens conhecidos do universo, diminuindo-os aos olhos do público. No final, a escolha pela comédia se tornou um tiro no pé quando o episódio fica muito abaixo do tom geral da série para ser uma quebra divertida.

EPISÓDIO 8 - E A ORDEM TEMPORAL E ESPACIAL FOI QUEBRADA... DE NOVO

Nesse ponto da história, os fãs do MCU já aceitaram que o Multiverso foi iniciado por diversos fatores: Wanda criando sua própria realidade, Sylvie matando Aquele que Perdura, Doutor Estranho ajudando o Homem-Aranha, entre outros. What If...? deveria ser uma introdução a esse multiverso e a suas infinitas possibilidades. Mas é claro que a série precisa se unir ao resto do universo que conhecemos, e que forma melhor de se fazer isso do que provocar uma nova quebra na divisão das realidades?

Com o poder das Joias do Infinito, Ultron entra na fronteira entre as realidades e desafia o Vigia.

Assim, o penúltimo episódio da série mostra um mundo em que Ultron foi vitorioso, criando um mundo e, logo em seguida, um universo dominado apenas por ele e suas máquinas. Com o poder das Joias do Infinito, porém, ele ganha um nível de consciência extremamente elevado, que o faz perceber a existência do Vigia e do Multiverso, o que o leva a embarcar em uma jornada para executar sua missão genocida em todos os universos conhecidos. Enquanto isso, na Terra, Clint e Natasha, os dois últimos sobreviventes do apocalipse, lutam para encontrar uma forma de impedir a máquina antes que ele destrua toda a vida em todas as realidades.

Por estabelecer a conexão com o universo conhecido até então por nós e colocar a série dentro da narrativa até então desenvolvida, o oitavo episódio perde um pouco de créditos por tirar de What If...? a essência que a transformava em uma série antológica. Ainda assim, a trama é extremamente bem construída, e a revelação do poder de Ultron de se equiparar ao Vigia é um dos grandes momentos da série, colocando o público em alerta para uma ameaça que nós nunca imaginaríamos poder saltar para fora de seu único episódio. Construindo um grande clímax para seu episódio final, What If...? entrega uma situação de enorme urgência que coloca o público em enorme expectativa para o desfecho dessa saga.

EPISÓDIO 9 - HORA DE UNIR O MULTIVERSO

Seguindo a deixa do penúltimo episódio, o final de What If...? realiza uma grande reunião de todos os principais personagens explorados ao longo da série para enfrentar o terrível Ultron, que possui o poder das Joias do Infinito. Guiados pelo Vigia, uma equipe é formada por Capitã Carter, Senhor das Estrelas T'Challa, Doutor Estranho Supremo, Thor Festeiro, Killmonger e por uma Gamora da dimensão onde ela derrotou Thanos e destruiu as Joias do Infinito. Juntos, eles traçam um plano desesperado para tirar o poder de Ultron antes que ele destrua o Multiverso.

Viúva Ngera, Capitã Carter e Gamora encaram seu desafio contra Ultron.

Como episódio, esse é talvez o que mais retorne à fórmula clássica da Marvel, o que é um pouco decepcionante. Depois de vários episódios explorando realidades com finais alternativos, dos quais muitos deles são terríveis, encerrar uma série tão interessante com um final tão previsível soa como se a Marvel estivesse com medo de levar suas ideias mais inovadoras até o fim. Dito isso, as sequências de luta são boas, o desenvolvimento do episódio é interessante e fornece espaço para um desenvolvimento divertido de seus personagens (a maioria, pelo menos, visto que Thor continua um tanto bobão e Gamora não tem muito o que oferecer no episódio). Além disso, o episódio brinca com nossas expectativas ao apresentar um Ex Machina falso e recorrer a algo que já havia sido estipulado anteriormente, resultando em um enredo satisfatório.

A maior perda dessa episódio, no entanto, talvez seja o fator antológico da série. Assistidos separadamente, cada episódio produz uma história única e divertida por si só. Esse é o único episódio que depende inteiramente do restante da série para fazer sentido, o que tira um pouco da mágica que os anteriores proporcionavam, ao nos fazer imaginar as inúmeras probabilidades. Mas, olhando de forma positiva, o episódio não cometeu o erro de unir a série ao restante do MCU, mantendo What If...? como uma série separada, capaz de explorar inúmeras possibilidades sem depender da história maior se desenvolvendo nos outros filmes e séries.

CONCLUSÃO

Por se manter como uma série à parte, What If...? introduz uma visão muito interessante sobre o MCU. Ao visitar diferentes possibilidades, em que uma pequena mudança gera alterações gigantescas na história conhecida, a série propõe uma reflexão divertida e se arrisca a algumas histórias mais ousadas. Além disso, enquanto se mantém como uma série antológica, What If...? se vale da vantagem de construir histórias independentes, algumas melhores do que outras, mas sem que uma prejudique as anteriores ou posteriores. Sua exploração do multiverso é bastante complexa e funciona como uma forma de abrir a mente do público para as inúmeras possibilidades.

E talvez essa seja a maior conquista da série. Nos últimos meses, a Marvel vem adentrando as águas da ideia de um Multiverso, explicando seu surgimento na história até então contada. What If...? é a primeira produção a mostrar de fato como esse Multiverso funciona, e faz isso de uma forma interessante e convidativa para o público, sem mergulhar nas entranhas teóricas da construção dessas diferentes realidades, mas ao mesmo tempo conferindo valor e profundidade às suas histórias e tornando-as críveis para aqueles que conheceram o MCU desde o seu início. Pequenos erros foram cometidos, mas no geral esse foi um grande primeiro passo dentro das infinitas possibilidades do Multiverso.

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Direção: 
Criação:
Roteirista 1
Roteirista 2
Roteirista 3
Diretor 1
Diretor 2
Diretor 3
Elenco Principal:
Ator 1
Ator 2
Ator 3
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What if...? foi uma série que prometeu muito dentro do MCU, trazendo a primeira exploração definitiva do Multiverso. Mas será que os frutos dessa produção foram bons o bastante para solidificar a investida da Marvel em seus múltiplos universos?

crítica por
Luis Henrique Franco
6/10/2021

Com os finais de Loki e WandaVision e a promessa trazida por Homem-Aranha: Sem Volta ao Lar e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a ideia de um Multiverso Marvel é mais do que definitiva, e as primeiras explorações desse tema já começaram a surgir. A mais notória desses últimos tempos é certamente a série What If...?, cuja premissa é justamente a exploração desse vasto multiverso de possibilidades infinitas.

Acompanhados pelo Vigia (Jeffrey Wright), o público é levado para novos universos, nos quais, a partir de alguma mudança, muitas vezes pequena, na história que já conhecemos, os destinos dos heróis da Marvel é completamente mudado, e toda a construção do universo que conhecemos sofre alterações drásticas. Com base apenas nessas pequenas mudanças, a exploração do multiverso certamente se mostrou algo interessante e convidativo. Mas como ela se solidificou na prática?

EPISÓDIO 1 - UM COMEÇO MORNO

O primeiro episódio de What If...? explora a possibilidade que ocorreria se a agente Peggy Carter tivesse sido aquela que tivesse tomado o soro do supersoldado, no lugar de Steve Rogers. A ideia é realmente interessante, colocando a primeira companheira do herói como a verdadeira heroína e explorando como ela lidaria com os problemas da Segunda Guerra Mundial e da invasão da HYDRA de forma diferente de Steve Rogers. O episódio também mostra como Steve, apesar de sem seus poderes, ainda se dispõe a lutar ao lado dela, usando para isso uma armadura especial construída por Howard Stark. Juntos, eles partem para enfrentar o Caveira Vermelha, que planeja trazer um poderoso "campeão" da HYDRA para enfrentar a dupla.

Capitã Carter lidera sua equipe enquanto deixa uma base tomada da HYDRA.

Apesar de uma premissa muito interessante, o primeiro episódio não se distancia quase nada de Capitão América: O primeiro Vingador. Sua história praticamente resume o primeiro filme do herói e repete seus passos, apenas colocando Peggy no lugar de Steve. Não é um episódio ruim ou mal realizado, mas fica clara a apreensão da Marvel em começar a exploração do Multiverso e sua preferência por se ater a algo conhecido e seguro, mas que decepciona o público justamente por não permitir que uma história realmente nova se desenvolva.

EPISÓDIO 2 - UMA BELA HOMENAGEM

O segundo episódio mostra o que aconteceria se, por um engano técnico, T'Challa tivesse sido levado por Yondu no lugar de Peter Quill. Nesse cenário, ao invés do Senhor das Estrelas saqueador, egoísta e criminoso, temos um herói galáctico, disposto a ajudar aqueles ao seu redor e cujo altruísmo e liderança afetam inclusive algumas pessoas inimagináveis, como Taserface, Nebulosa e inclusive o próprio Thanos, que deixou de ser um maníaco genocida para começar a ajudar as pessoas ao seu redor.

T'Challa, o Senhor das Estrelas, e os Saqueadores deixam a sua nave após uma missão.

Ao contrário do primeiro, o segundo episódio realmente provoca alterações divertidas no universo conhecido. É interessante ver uma nova formação dos Guardiões, mais altruísta e com um planejamento de ação mais efetivo, e que realmente faz o bem à galáxia sem pensar no pagamento a ser recebido. É extremamente divertido ver as relações de T'Challa e Yondu e entre Nebulosa e Thanos à medida que todos eles se unem para tentar acabar com o poderio do Colecionador, que agora é um vilão poderoso que domina Luganenhum com uma mão de ferro.

Mas o episódio também funciona como uma excelente homenagem a Chadwick Boseman e a T'Challa, revelando toda a sua personalidade e natureza heroica, mesmo sem o manto de Pantera Negra. A reafirmação da bondade e da força do personagem em qualquer manto que ele use funciona como uma despedida para aquele que, para muitos, foi um dos maiores heróis do MCU. Quase um ano após a sua morte, e esse episódio realmente lembrou as pessoas de porque ele foi tão querido.

EPISÓDIO 3 - UM MUNDO SEM VINGADORES

No terceiro episódio, a série What If...? mergulhou em um thriller de investigação quando os Vingadores originais começaram a morrer um atrás do outro, por razões misteriosas. Isso levou Nick Fury e a Viúva Negra a investigarem por conta própria, enquanto os eventos transcorridos entre Homem de Ferro 2, O Incrível Hulk e Thor se desenrolavam no universo. Com seus principais heróis sendo abatidos um após o outro, e com o risco de uma poderosa invasão asgardiana ao seu planeta, Fury precisa pensar rápido para resolver a questão e salvar a Terra.

A Viúva Negra, acusada de assassinar Tony Stark, é escoltada pelos soldados da SHIELD, liderados por Rumlow.

Mais do que uma boa história de investigação, o terceiro episódio ainda estabelece um ponto de insegurança que o público ainda não havia tido no MCU. Desde o começo desse universo, existe uma certa segurança causada pela existência dos Vingadores. Por causa deles, sentimos que mesmo um vilão poderoso como Thanos não escapará impune caso cause destruição na Terra. Ao destruir a equipe antes mesmo dela começar, What If...? literalmente destrói esse escudo ao qual estamos habituados e estabelece um pressuposto real para o que poderia acontecer se os maiores heróis da Terra fossem todos mortos. Sem nenhuma dúvida, uma atitude extremamente ousada da Marvel.

EPISÓDIO 4 - A SIMPATIA PELO SOFRIMENTO DE UM ESTRANHO

Um dos melhores episódios da série é também o mais triste. Nesse universo, vemos o que aconteceria se, na noite de seu acidente, o Doutor Estranho não perdesse o movimento das mãos, mas sim o seu amor, Christinne. Movido pela dor e pelo luto, ele se torna o Mago Supremo e conquista o posto que estamos familiarizados, mas a dor que sente é tão grande que o leva a buscar maneiras de trazer Christinne de volta. Mesmo alertado de que esse evento não pode ser alterado, Stephen tenta de novo e de novo, consumindo seres místicos e absorvendo seus poderes para ficar mais forte, até que seu poder é tanto que ele consegue quebrar o marco da morte de sua amada, trazendo terríveis consequências para o Universo.

O Doutor Estranho Supremo tenta conter a desintegração de sua realidade.

Com uma história extremamente triste, o quarto episódio se sobressai em um aspecto de extrema importância: a construção singular de seu protagonista. Estabelecido como um mago poderoso e arrogante no MCU, Stephen Strange sempre teve uma natureza inteligente e ácida desde a sua introdução. Nesse episódio, porém, sua natureza é melancólica, e analisamos um lado muito mais sentimental e aberto do Doutor Estranho. Um lado que abandona completamente a racionalidade e o pensamento lógico do médico transformado em feiticeiro e mostra um lado emotivo e passional com o qual podemos nos identificar muito facilmente. Assim, mesmo que as ações dele levem a um destino sombrio para toda aquela realidade, não o condenamos por completo, pois acompanhamos todo o seu desespero e sofrimento.

EPISÓDIO 5 - ZUMBIS? ZUMBIS!

Nesse episódio especial, que adapta a consagrada HQ Marvel Zombies, Bruce Banner é enviado de volta à Terra para alertar aos Vingadores sobre a chegada de Thanos. Contudo, o que ele encontra ao voltar é uma Terra completamente devastada após um vírus do Reino Quântico, trazido por Hank Pym e sua esposa, transformar todos os infectados em zumbis. Agora, acompanhado por um grupo de heróis sobreviventes, que inclui o Homem-Aranha, o Soldado Invernal, a General Okoye e muitos outros, Bruce irá lutar para proteger esse pequeno grupo e manter viva a esperança de recuperação da Terra.

Capitão América como um zumbi.

O episódio 5 de What If...? é um de reações mistas. Por um lado, a adaptação do apocalipse zumbi é muito bem-feita, de forma que a história se torna coerente e possível dentro do MCU. Além disso, os personagens são bem interessantes, e vários aspectos deles são explorados de uma forma que os filmes ainda não mostraram, como o amadurecimento de Peter Parker e a redenção do Hulk (algo que certamente ficou faltando em Guerra Infinita). Por outro lado, sua história não vai para lugares completamente inesperados e, salvo uma surpresa ou outra, é bastante previsível. Além disso, mesmo que queira aparentar o contrário, o episódio não dá às suas mortes e sacrifícios todo o peso que gostaria.

No geral, é um episódio bem feito e com muita coisa boa em si. A principal delas é justamente o sucesso em adaptar uma HQ que todos julgavam impossível dentro da construção atual do MCU. Mas mesmo assim não é um episódio perfeito. Não se trata de uma história ruim, mas sim de uma narrativa que poderia ter ido um pouco mais longe.

EPISÓDIO 6 - O VILÃO TRIUNFA

O sexto episódio da série se dedicou a reverter o grande momento inicial do MCU. Graças à presença de Killmonger no Afeganistão, Tony Stark é salvo do atentado que quase custou sua vida, mas que também foi o responsável por transformá-lo no Homem de Ferro. A partir desse ponto, vemos como todo o arco de evolução de Stark é destruído pela ausência desse momento, ao mesmo tempo em que assistimos ao desenrolar do plano de Killmonger para retornar a Wakanda e ocupar seu lugar na família real.

Killmonger encontra Tony Stark após o ataque dos Dez Anéis ao comboio no Afeganistão.

O que torna a história desse episódio tão forte não é necessariamente a trama em si, mas a forma como ela explora muito bem seus personagens. Reconhecemos de imediato a importância do atentado para a jornada de Tony e, a partir do momento em que ela não se inicia, não temos mais um herói para acompanharmos. Ao invés disso, vemos como um vilão muito aclamado pelo público cresce em influência nas Indústrias Stark e tece seu plano com extremo cuidado. Killmonger é a grande estrela do episódio e, se em Pantera Negra ele já havia conquistado o público, aqui temos um prazer secreto em vê-lo triunfar com seu plano, mesmo que à custa de alguns grandes heróis do universo.

A análise da inteligência e da causa de Killmonger é o que faz esse episódio ser tão especial, mesmo que em algumas partes a trama fique um pouco confusa, com o plano do vilão parecendo criar camadas adicionais sem necessidade no final. Ainda assim, a forma como o personagem ocupa seu lugar em Wakanda e extremamente satisfatória, mesmo que no fundo sintamos uma pequena ponta de culpa por torcermos por um vilão.

EPISÓDIO 7 - UM TOM MAIS LEVE, QUE NÃO FUNCIONA BEM

No sétimo episódio, analisamos as consequências para o Multiverso caso Odin não tivesse ficado com Loki, fazendo de Thor um filho único. Como consequência disso, Thor nunca teve uma rivalidade na infância que o ensinasse algo sobre responsabilidade, transformando-o em um bobo fanfarrão que não se importa com nada além de festa. E quando esse bobo fanfarrão vem à Terra para festejar, as consequências podem parecer tão ruins para os humanos que até mesmo a poderosa Capitã Marvel precisa ser chamada.

Thor tenta limpar os vestígios de sua grande fetsa na Terra.

Após alguns episódios bem sombrios, What If...? decide assumir um tom mais leve e divertido, valendo-se do carisma de Thor como personagem cômico para gerar um episódio mais engraçado e descontraído. Entretanto, a escolha não funciona tão bem quanto poderia. Mesmo que o episódio tenha alguns bons momentos e proporcione aos fãs uma luta entre Thor e Capitã Marvel para ver quem é o mais poderoso, a trama simplesmente acompanha o deus do Trovão saltando de uma festa para a outra, sem desenvolver muito suas relações ou um conflito realmente envolvente. Além disso, o tom de sátira e comédia acaba tirando muito do desenvolvimento de alguns personagens conhecidos do universo, diminuindo-os aos olhos do público. No final, a escolha pela comédia se tornou um tiro no pé quando o episódio fica muito abaixo do tom geral da série para ser uma quebra divertida.

EPISÓDIO 8 - E A ORDEM TEMPORAL E ESPACIAL FOI QUEBRADA... DE NOVO

Nesse ponto da história, os fãs do MCU já aceitaram que o Multiverso foi iniciado por diversos fatores: Wanda criando sua própria realidade, Sylvie matando Aquele que Perdura, Doutor Estranho ajudando o Homem-Aranha, entre outros. What If...? deveria ser uma introdução a esse multiverso e a suas infinitas possibilidades. Mas é claro que a série precisa se unir ao resto do universo que conhecemos, e que forma melhor de se fazer isso do que provocar uma nova quebra na divisão das realidades?

Com o poder das Joias do Infinito, Ultron entra na fronteira entre as realidades e desafia o Vigia.

Assim, o penúltimo episódio da série mostra um mundo em que Ultron foi vitorioso, criando um mundo e, logo em seguida, um universo dominado apenas por ele e suas máquinas. Com o poder das Joias do Infinito, porém, ele ganha um nível de consciência extremamente elevado, que o faz perceber a existência do Vigia e do Multiverso, o que o leva a embarcar em uma jornada para executar sua missão genocida em todos os universos conhecidos. Enquanto isso, na Terra, Clint e Natasha, os dois últimos sobreviventes do apocalipse, lutam para encontrar uma forma de impedir a máquina antes que ele destrua toda a vida em todas as realidades.

Por estabelecer a conexão com o universo conhecido até então por nós e colocar a série dentro da narrativa até então desenvolvida, o oitavo episódio perde um pouco de créditos por tirar de What If...? a essência que a transformava em uma série antológica. Ainda assim, a trama é extremamente bem construída, e a revelação do poder de Ultron de se equiparar ao Vigia é um dos grandes momentos da série, colocando o público em alerta para uma ameaça que nós nunca imaginaríamos poder saltar para fora de seu único episódio. Construindo um grande clímax para seu episódio final, What If...? entrega uma situação de enorme urgência que coloca o público em enorme expectativa para o desfecho dessa saga.

EPISÓDIO 9 - HORA DE UNIR O MULTIVERSO

Seguindo a deixa do penúltimo episódio, o final de What If...? realiza uma grande reunião de todos os principais personagens explorados ao longo da série para enfrentar o terrível Ultron, que possui o poder das Joias do Infinito. Guiados pelo Vigia, uma equipe é formada por Capitã Carter, Senhor das Estrelas T'Challa, Doutor Estranho Supremo, Thor Festeiro, Killmonger e por uma Gamora da dimensão onde ela derrotou Thanos e destruiu as Joias do Infinito. Juntos, eles traçam um plano desesperado para tirar o poder de Ultron antes que ele destrua o Multiverso.

Viúva Ngera, Capitã Carter e Gamora encaram seu desafio contra Ultron.

Como episódio, esse é talvez o que mais retorne à fórmula clássica da Marvel, o que é um pouco decepcionante. Depois de vários episódios explorando realidades com finais alternativos, dos quais muitos deles são terríveis, encerrar uma série tão interessante com um final tão previsível soa como se a Marvel estivesse com medo de levar suas ideias mais inovadoras até o fim. Dito isso, as sequências de luta são boas, o desenvolvimento do episódio é interessante e fornece espaço para um desenvolvimento divertido de seus personagens (a maioria, pelo menos, visto que Thor continua um tanto bobão e Gamora não tem muito o que oferecer no episódio). Além disso, o episódio brinca com nossas expectativas ao apresentar um Ex Machina falso e recorrer a algo que já havia sido estipulado anteriormente, resultando em um enredo satisfatório.

A maior perda dessa episódio, no entanto, talvez seja o fator antológico da série. Assistidos separadamente, cada episódio produz uma história única e divertida por si só. Esse é o único episódio que depende inteiramente do restante da série para fazer sentido, o que tira um pouco da mágica que os anteriores proporcionavam, ao nos fazer imaginar as inúmeras probabilidades. Mas, olhando de forma positiva, o episódio não cometeu o erro de unir a série ao restante do MCU, mantendo What If...? como uma série separada, capaz de explorar inúmeras possibilidades sem depender da história maior se desenvolvendo nos outros filmes e séries.

CONCLUSÃO

Por se manter como uma série à parte, What If...? introduz uma visão muito interessante sobre o MCU. Ao visitar diferentes possibilidades, em que uma pequena mudança gera alterações gigantescas na história conhecida, a série propõe uma reflexão divertida e se arrisca a algumas histórias mais ousadas. Além disso, enquanto se mantém como uma série antológica, What If...? se vale da vantagem de construir histórias independentes, algumas melhores do que outras, mas sem que uma prejudique as anteriores ou posteriores. Sua exploração do multiverso é bastante complexa e funciona como uma forma de abrir a mente do público para as inúmeras possibilidades.

E talvez essa seja a maior conquista da série. Nos últimos meses, a Marvel vem adentrando as águas da ideia de um Multiverso, explicando seu surgimento na história até então contada. What If...? é a primeira produção a mostrar de fato como esse Multiverso funciona, e faz isso de uma forma interessante e convidativa para o público, sem mergulhar nas entranhas teóricas da construção dessas diferentes realidades, mas ao mesmo tempo conferindo valor e profundidade às suas histórias e tornando-as críveis para aqueles que conheceram o MCU desde o seu início. Pequenos erros foram cometidos, mas no geral esse foi um grande primeiro passo dentro das infinitas possibilidades do Multiverso.

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Análise & Opinião

What if...? foi uma série que prometeu muito dentro do MCU, trazendo a primeira exploração definitiva do Multiverso. Mas será que os frutos dessa produção foram bons o bastante para solidificar a investida da Marvel em seus múltiplos universos?

escrito por
Luis Henrique Franco
6/10/2021
nascimento

What if...? foi uma série que prometeu muito dentro do MCU, trazendo a primeira exploração definitiva do Multiverso. Mas será que os frutos dessa produção foram bons o bastante para solidificar a investida da Marvel em seus múltiplos universos?

escrito por
Luis Henrique Franco
6/10/2021

Com os finais de Loki e WandaVision e a promessa trazida por Homem-Aranha: Sem Volta ao Lar e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a ideia de um Multiverso Marvel é mais do que definitiva, e as primeiras explorações desse tema já começaram a surgir. A mais notória desses últimos tempos é certamente a série What If...?, cuja premissa é justamente a exploração desse vasto multiverso de possibilidades infinitas.

Acompanhados pelo Vigia (Jeffrey Wright), o público é levado para novos universos, nos quais, a partir de alguma mudança, muitas vezes pequena, na história que já conhecemos, os destinos dos heróis da Marvel é completamente mudado, e toda a construção do universo que conhecemos sofre alterações drásticas. Com base apenas nessas pequenas mudanças, a exploração do multiverso certamente se mostrou algo interessante e convidativo. Mas como ela se solidificou na prática?

EPISÓDIO 1 - UM COMEÇO MORNO

O primeiro episódio de What If...? explora a possibilidade que ocorreria se a agente Peggy Carter tivesse sido aquela que tivesse tomado o soro do supersoldado, no lugar de Steve Rogers. A ideia é realmente interessante, colocando a primeira companheira do herói como a verdadeira heroína e explorando como ela lidaria com os problemas da Segunda Guerra Mundial e da invasão da HYDRA de forma diferente de Steve Rogers. O episódio também mostra como Steve, apesar de sem seus poderes, ainda se dispõe a lutar ao lado dela, usando para isso uma armadura especial construída por Howard Stark. Juntos, eles partem para enfrentar o Caveira Vermelha, que planeja trazer um poderoso "campeão" da HYDRA para enfrentar a dupla.

Capitã Carter lidera sua equipe enquanto deixa uma base tomada da HYDRA.

Apesar de uma premissa muito interessante, o primeiro episódio não se distancia quase nada de Capitão América: O primeiro Vingador. Sua história praticamente resume o primeiro filme do herói e repete seus passos, apenas colocando Peggy no lugar de Steve. Não é um episódio ruim ou mal realizado, mas fica clara a apreensão da Marvel em começar a exploração do Multiverso e sua preferência por se ater a algo conhecido e seguro, mas que decepciona o público justamente por não permitir que uma história realmente nova se desenvolva.

EPISÓDIO 2 - UMA BELA HOMENAGEM

O segundo episódio mostra o que aconteceria se, por um engano técnico, T'Challa tivesse sido levado por Yondu no lugar de Peter Quill. Nesse cenário, ao invés do Senhor das Estrelas saqueador, egoísta e criminoso, temos um herói galáctico, disposto a ajudar aqueles ao seu redor e cujo altruísmo e liderança afetam inclusive algumas pessoas inimagináveis, como Taserface, Nebulosa e inclusive o próprio Thanos, que deixou de ser um maníaco genocida para começar a ajudar as pessoas ao seu redor.

T'Challa, o Senhor das Estrelas, e os Saqueadores deixam a sua nave após uma missão.

Ao contrário do primeiro, o segundo episódio realmente provoca alterações divertidas no universo conhecido. É interessante ver uma nova formação dos Guardiões, mais altruísta e com um planejamento de ação mais efetivo, e que realmente faz o bem à galáxia sem pensar no pagamento a ser recebido. É extremamente divertido ver as relações de T'Challa e Yondu e entre Nebulosa e Thanos à medida que todos eles se unem para tentar acabar com o poderio do Colecionador, que agora é um vilão poderoso que domina Luganenhum com uma mão de ferro.

Mas o episódio também funciona como uma excelente homenagem a Chadwick Boseman e a T'Challa, revelando toda a sua personalidade e natureza heroica, mesmo sem o manto de Pantera Negra. A reafirmação da bondade e da força do personagem em qualquer manto que ele use funciona como uma despedida para aquele que, para muitos, foi um dos maiores heróis do MCU. Quase um ano após a sua morte, e esse episódio realmente lembrou as pessoas de porque ele foi tão querido.

EPISÓDIO 3 - UM MUNDO SEM VINGADORES

No terceiro episódio, a série What If...? mergulhou em um thriller de investigação quando os Vingadores originais começaram a morrer um atrás do outro, por razões misteriosas. Isso levou Nick Fury e a Viúva Negra a investigarem por conta própria, enquanto os eventos transcorridos entre Homem de Ferro 2, O Incrível Hulk e Thor se desenrolavam no universo. Com seus principais heróis sendo abatidos um após o outro, e com o risco de uma poderosa invasão asgardiana ao seu planeta, Fury precisa pensar rápido para resolver a questão e salvar a Terra.

A Viúva Negra, acusada de assassinar Tony Stark, é escoltada pelos soldados da SHIELD, liderados por Rumlow.

Mais do que uma boa história de investigação, o terceiro episódio ainda estabelece um ponto de insegurança que o público ainda não havia tido no MCU. Desde o começo desse universo, existe uma certa segurança causada pela existência dos Vingadores. Por causa deles, sentimos que mesmo um vilão poderoso como Thanos não escapará impune caso cause destruição na Terra. Ao destruir a equipe antes mesmo dela começar, What If...? literalmente destrói esse escudo ao qual estamos habituados e estabelece um pressuposto real para o que poderia acontecer se os maiores heróis da Terra fossem todos mortos. Sem nenhuma dúvida, uma atitude extremamente ousada da Marvel.

EPISÓDIO 4 - A SIMPATIA PELO SOFRIMENTO DE UM ESTRANHO

Um dos melhores episódios da série é também o mais triste. Nesse universo, vemos o que aconteceria se, na noite de seu acidente, o Doutor Estranho não perdesse o movimento das mãos, mas sim o seu amor, Christinne. Movido pela dor e pelo luto, ele se torna o Mago Supremo e conquista o posto que estamos familiarizados, mas a dor que sente é tão grande que o leva a buscar maneiras de trazer Christinne de volta. Mesmo alertado de que esse evento não pode ser alterado, Stephen tenta de novo e de novo, consumindo seres místicos e absorvendo seus poderes para ficar mais forte, até que seu poder é tanto que ele consegue quebrar o marco da morte de sua amada, trazendo terríveis consequências para o Universo.

O Doutor Estranho Supremo tenta conter a desintegração de sua realidade.

Com uma história extremamente triste, o quarto episódio se sobressai em um aspecto de extrema importância: a construção singular de seu protagonista. Estabelecido como um mago poderoso e arrogante no MCU, Stephen Strange sempre teve uma natureza inteligente e ácida desde a sua introdução. Nesse episódio, porém, sua natureza é melancólica, e analisamos um lado muito mais sentimental e aberto do Doutor Estranho. Um lado que abandona completamente a racionalidade e o pensamento lógico do médico transformado em feiticeiro e mostra um lado emotivo e passional com o qual podemos nos identificar muito facilmente. Assim, mesmo que as ações dele levem a um destino sombrio para toda aquela realidade, não o condenamos por completo, pois acompanhamos todo o seu desespero e sofrimento.

EPISÓDIO 5 - ZUMBIS? ZUMBIS!

Nesse episódio especial, que adapta a consagrada HQ Marvel Zombies, Bruce Banner é enviado de volta à Terra para alertar aos Vingadores sobre a chegada de Thanos. Contudo, o que ele encontra ao voltar é uma Terra completamente devastada após um vírus do Reino Quântico, trazido por Hank Pym e sua esposa, transformar todos os infectados em zumbis. Agora, acompanhado por um grupo de heróis sobreviventes, que inclui o Homem-Aranha, o Soldado Invernal, a General Okoye e muitos outros, Bruce irá lutar para proteger esse pequeno grupo e manter viva a esperança de recuperação da Terra.

Capitão América como um zumbi.

O episódio 5 de What If...? é um de reações mistas. Por um lado, a adaptação do apocalipse zumbi é muito bem-feita, de forma que a história se torna coerente e possível dentro do MCU. Além disso, os personagens são bem interessantes, e vários aspectos deles são explorados de uma forma que os filmes ainda não mostraram, como o amadurecimento de Peter Parker e a redenção do Hulk (algo que certamente ficou faltando em Guerra Infinita). Por outro lado, sua história não vai para lugares completamente inesperados e, salvo uma surpresa ou outra, é bastante previsível. Além disso, mesmo que queira aparentar o contrário, o episódio não dá às suas mortes e sacrifícios todo o peso que gostaria.

No geral, é um episódio bem feito e com muita coisa boa em si. A principal delas é justamente o sucesso em adaptar uma HQ que todos julgavam impossível dentro da construção atual do MCU. Mas mesmo assim não é um episódio perfeito. Não se trata de uma história ruim, mas sim de uma narrativa que poderia ter ido um pouco mais longe.

EPISÓDIO 6 - O VILÃO TRIUNFA

O sexto episódio da série se dedicou a reverter o grande momento inicial do MCU. Graças à presença de Killmonger no Afeganistão, Tony Stark é salvo do atentado que quase custou sua vida, mas que também foi o responsável por transformá-lo no Homem de Ferro. A partir desse ponto, vemos como todo o arco de evolução de Stark é destruído pela ausência desse momento, ao mesmo tempo em que assistimos ao desenrolar do plano de Killmonger para retornar a Wakanda e ocupar seu lugar na família real.

Killmonger encontra Tony Stark após o ataque dos Dez Anéis ao comboio no Afeganistão.

O que torna a história desse episódio tão forte não é necessariamente a trama em si, mas a forma como ela explora muito bem seus personagens. Reconhecemos de imediato a importância do atentado para a jornada de Tony e, a partir do momento em que ela não se inicia, não temos mais um herói para acompanharmos. Ao invés disso, vemos como um vilão muito aclamado pelo público cresce em influência nas Indústrias Stark e tece seu plano com extremo cuidado. Killmonger é a grande estrela do episódio e, se em Pantera Negra ele já havia conquistado o público, aqui temos um prazer secreto em vê-lo triunfar com seu plano, mesmo que à custa de alguns grandes heróis do universo.

A análise da inteligência e da causa de Killmonger é o que faz esse episódio ser tão especial, mesmo que em algumas partes a trama fique um pouco confusa, com o plano do vilão parecendo criar camadas adicionais sem necessidade no final. Ainda assim, a forma como o personagem ocupa seu lugar em Wakanda e extremamente satisfatória, mesmo que no fundo sintamos uma pequena ponta de culpa por torcermos por um vilão.

EPISÓDIO 7 - UM TOM MAIS LEVE, QUE NÃO FUNCIONA BEM

No sétimo episódio, analisamos as consequências para o Multiverso caso Odin não tivesse ficado com Loki, fazendo de Thor um filho único. Como consequência disso, Thor nunca teve uma rivalidade na infância que o ensinasse algo sobre responsabilidade, transformando-o em um bobo fanfarrão que não se importa com nada além de festa. E quando esse bobo fanfarrão vem à Terra para festejar, as consequências podem parecer tão ruins para os humanos que até mesmo a poderosa Capitã Marvel precisa ser chamada.

Thor tenta limpar os vestígios de sua grande fetsa na Terra.

Após alguns episódios bem sombrios, What If...? decide assumir um tom mais leve e divertido, valendo-se do carisma de Thor como personagem cômico para gerar um episódio mais engraçado e descontraído. Entretanto, a escolha não funciona tão bem quanto poderia. Mesmo que o episódio tenha alguns bons momentos e proporcione aos fãs uma luta entre Thor e Capitã Marvel para ver quem é o mais poderoso, a trama simplesmente acompanha o deus do Trovão saltando de uma festa para a outra, sem desenvolver muito suas relações ou um conflito realmente envolvente. Além disso, o tom de sátira e comédia acaba tirando muito do desenvolvimento de alguns personagens conhecidos do universo, diminuindo-os aos olhos do público. No final, a escolha pela comédia se tornou um tiro no pé quando o episódio fica muito abaixo do tom geral da série para ser uma quebra divertida.

EPISÓDIO 8 - E A ORDEM TEMPORAL E ESPACIAL FOI QUEBRADA... DE NOVO

Nesse ponto da história, os fãs do MCU já aceitaram que o Multiverso foi iniciado por diversos fatores: Wanda criando sua própria realidade, Sylvie matando Aquele que Perdura, Doutor Estranho ajudando o Homem-Aranha, entre outros. What If...? deveria ser uma introdução a esse multiverso e a suas infinitas possibilidades. Mas é claro que a série precisa se unir ao resto do universo que conhecemos, e que forma melhor de se fazer isso do que provocar uma nova quebra na divisão das realidades?

Com o poder das Joias do Infinito, Ultron entra na fronteira entre as realidades e desafia o Vigia.

Assim, o penúltimo episódio da série mostra um mundo em que Ultron foi vitorioso, criando um mundo e, logo em seguida, um universo dominado apenas por ele e suas máquinas. Com o poder das Joias do Infinito, porém, ele ganha um nível de consciência extremamente elevado, que o faz perceber a existência do Vigia e do Multiverso, o que o leva a embarcar em uma jornada para executar sua missão genocida em todos os universos conhecidos. Enquanto isso, na Terra, Clint e Natasha, os dois últimos sobreviventes do apocalipse, lutam para encontrar uma forma de impedir a máquina antes que ele destrua toda a vida em todas as realidades.

Por estabelecer a conexão com o universo conhecido até então por nós e colocar a série dentro da narrativa até então desenvolvida, o oitavo episódio perde um pouco de créditos por tirar de What If...? a essência que a transformava em uma série antológica. Ainda assim, a trama é extremamente bem construída, e a revelação do poder de Ultron de se equiparar ao Vigia é um dos grandes momentos da série, colocando o público em alerta para uma ameaça que nós nunca imaginaríamos poder saltar para fora de seu único episódio. Construindo um grande clímax para seu episódio final, What If...? entrega uma situação de enorme urgência que coloca o público em enorme expectativa para o desfecho dessa saga.

EPISÓDIO 9 - HORA DE UNIR O MULTIVERSO

Seguindo a deixa do penúltimo episódio, o final de What If...? realiza uma grande reunião de todos os principais personagens explorados ao longo da série para enfrentar o terrível Ultron, que possui o poder das Joias do Infinito. Guiados pelo Vigia, uma equipe é formada por Capitã Carter, Senhor das Estrelas T'Challa, Doutor Estranho Supremo, Thor Festeiro, Killmonger e por uma Gamora da dimensão onde ela derrotou Thanos e destruiu as Joias do Infinito. Juntos, eles traçam um plano desesperado para tirar o poder de Ultron antes que ele destrua o Multiverso.

Viúva Ngera, Capitã Carter e Gamora encaram seu desafio contra Ultron.

Como episódio, esse é talvez o que mais retorne à fórmula clássica da Marvel, o que é um pouco decepcionante. Depois de vários episódios explorando realidades com finais alternativos, dos quais muitos deles são terríveis, encerrar uma série tão interessante com um final tão previsível soa como se a Marvel estivesse com medo de levar suas ideias mais inovadoras até o fim. Dito isso, as sequências de luta são boas, o desenvolvimento do episódio é interessante e fornece espaço para um desenvolvimento divertido de seus personagens (a maioria, pelo menos, visto que Thor continua um tanto bobão e Gamora não tem muito o que oferecer no episódio). Além disso, o episódio brinca com nossas expectativas ao apresentar um Ex Machina falso e recorrer a algo que já havia sido estipulado anteriormente, resultando em um enredo satisfatório.

A maior perda dessa episódio, no entanto, talvez seja o fator antológico da série. Assistidos separadamente, cada episódio produz uma história única e divertida por si só. Esse é o único episódio que depende inteiramente do restante da série para fazer sentido, o que tira um pouco da mágica que os anteriores proporcionavam, ao nos fazer imaginar as inúmeras probabilidades. Mas, olhando de forma positiva, o episódio não cometeu o erro de unir a série ao restante do MCU, mantendo What If...? como uma série separada, capaz de explorar inúmeras possibilidades sem depender da história maior se desenvolvendo nos outros filmes e séries.

CONCLUSÃO

Por se manter como uma série à parte, What If...? introduz uma visão muito interessante sobre o MCU. Ao visitar diferentes possibilidades, em que uma pequena mudança gera alterações gigantescas na história conhecida, a série propõe uma reflexão divertida e se arrisca a algumas histórias mais ousadas. Além disso, enquanto se mantém como uma série antológica, What If...? se vale da vantagem de construir histórias independentes, algumas melhores do que outras, mas sem que uma prejudique as anteriores ou posteriores. Sua exploração do multiverso é bastante complexa e funciona como uma forma de abrir a mente do público para as inúmeras possibilidades.

E talvez essa seja a maior conquista da série. Nos últimos meses, a Marvel vem adentrando as águas da ideia de um Multiverso, explicando seu surgimento na história até então contada. What If...? é a primeira produção a mostrar de fato como esse Multiverso funciona, e faz isso de uma forma interessante e convidativa para o público, sem mergulhar nas entranhas teóricas da construção dessas diferentes realidades, mas ao mesmo tempo conferindo valor e profundidade às suas histórias e tornando-as críveis para aqueles que conheceram o MCU desde o seu início. Pequenos erros foram cometidos, mas no geral esse foi um grande primeiro passo dentro das infinitas possibilidades do Multiverso.

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